“Minha inadimplência está controlada, não é um problema!” Até quando isso é verdade?

“Minha inadimplência está controlada.” Até quando isso é verdade?

Uma frase bastante comum no mercado imobiliário é: “Nossa inadimplência está sob controle.” 

E, de fato, ela pode estar. 

Os índices estão dentro da média histórica, o fluxo de caixa não sofre impactos significativos e os processos de cobrança e de gestão de sinistros parecem funcionar adequadamente. Nesse cenário, é natural que a inadimplência deixe de ser prioridade na agenda dos gestores. 

Mas existe uma pergunta que poucos fazem: 

Controlada em relação a quê? 

Se a referência é apenas o próprio histórico da empresa, talvez a conclusão seja correta. Porém, em um mercado cada vez mais competitivo, olhar apenas para dentro pode ser um erro estratégico. 

O maior risco não é a inadimplência atual 

Quando uma imobiliária deixa de buscar melhorias porque acredita que o problema já está resolvido, ela para de evoluir. Enquanto isso, as empresas que aprofundam a análise dos fatores que influenciam diretamente a inadimplência, como a qualidade técnica da análise de crédito, o estudo dos perfis de inquilinos com maior histórico de não pagamento e o constante aperfeiçoamento dos critérios de aprovação e da performance das garantias pagas.  

Com o apoio de dados e inteligência de mercado, essas empresas conseguem prever comportamentos de pagamento com muito mais precisão. O resultado é que duas imobiliárias podem apresentar níveis de inadimplência aparentemente saudáveis, mas seguir trajetórias completamente diferentes em termos de risco e sustentabilidade da carteira. 

Uma está estagnada. 

A outra está construindo vantagem competitiva. 

O concorrente não precisa crescer muito para te ultrapassar 

Imagine uma imobiliária com 5% de inadimplência que considera esse índice aceitável. Agora imagine um concorrente que reduz esse percentual para 3%. 

A diferença parece pequena à primeira vista, mas seus impactos são significativos: 

  • Mais receita efetivamente recebida. 
  • Menor custo operacional com cobranças e gestão de sinistros. 
  • Menos desgaste no relacionamento com proprietários. 
  • Melhor previsibilidade de caixa. 
  • Maior capacidade de investimento em expansão, tecnologia e marketing. 

Com o tempo, a empresa que recupera mais receita consegue reinvestir mais no próprio crescimento. E essa vantagem tende a se acumular. 

A inadimplência não ameaça apenas a receita. Ela ameaça a sua carteira. 

Na visão do proprietário, muitas vezes a experiência não é medida pelo índice global da imobiliária, mas pelo que aconteceu com o seu imóvel. 

Para aquele cliente específico, pouco importa se a inadimplência geral da carteira está em 3%, 4% ou 5%. O que importa é que a renda esperada não entrou, ou estão sendo remunerado por uma seguradora/garantidora, o que não anula o impacto em saber que tem um inquilino inadimplente no seu imóvel, que estará em breve vazio e sabe lá em que condições, já que o inquilino sabe que será retirado do imóvel e não tem mais nada a perder.  

Ou seja, uma situação de desgaste que esperava que a administradora evitasse. 

É nesse momento que surgem questionamentos como: 

  • “Minha imobiliária está selecionando bem os inquilinos?” 
  • “Será que outra administradora teria evitado esse problema?” 
  • “Estou recebendo a proteção e a gestão que me prometeram?” 

Quando essas dúvidas aparecem, o risco não é apenas financeiro. É comercial. 

Ou seja, mesmo quando a inadimplência não preocupa os resultados financeiros de curto prazo, ela pode comprometer diretamente a retenção e a expansão da carteira. 

Essa discussão se torna ainda mais relevante no contexto atual do mercado imobiliário, que sofre de escassez de imóveis disponíveis para captação. O crescimento das carteiras está cada vez mais dependente da conquista e retenção de proprietários, que se tornaram ativos muito mais disputados. 

Nesse cenário, perder um proprietário é mais caro do que era algum tempo atrás. 

Quanto mais raro se torna o proprietário, mais cara se torna cada experiência negativa relacionada à inadimplência. Por isso, reduzir a inadimplência não deve ser visto apenas como uma estratégia para melhorar indicadores financeiros. É também uma estratégia de retenção, proteção da carteira e sustentação do crescimento. 

Porque, no final das contas, a pergunta mais importante talvez não seja somente: 

“Quanto a inadimplência está me custando?” 

Mas também: 

“Quantos proprietários estou colocando em risco cada vez que ela acontece?” 

A verdadeira gestão é a busca contínua por eficiência 

Controlar a inadimplência é importante. Mas transformar sua gestão em uma vantagem competitiva é ainda mais. 

Imobiliárias que encaram seus indicadores como algo “bom o suficiente” correm o risco de serem ultrapassadas por concorrentes que enxergam cada percentual de melhoria como uma oportunidade de geração de valor. 

A pergunta que todo gestor imobiliário deveria se fazer é simples: 

“Se meu concorrente reduzir a inadimplência antes de mim, quais vantagens ele terá que eu não terei?” 

Porque, no fim das contas, o maior risco não é ter inadimplência. 

É acreditar que ela já não pode melhorar. 

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