O verdadeiro problema da inadimplência do aluguel: o risco de perder o proprietário

Quando se fala em inadimplência no aluguel, o foco costuma recair sobre o valor não recebido, o impacto direto no caixa da imobiliária. Mas há um risco ainda mais estratégico e silencioso: a perda do proprietário como cliente.

O aluguel não pago é apenas o sintoma

É natural que o atraso ou não pagamento do aluguel cause preocupação. Além de gerar custos com cobrança, comprometer o fluxo de caixa e até exigir ações judiciais, há um efeito menos visível, mas ainda mais relevante: a experiência negativa do proprietário. Esse desgaste pode levá-lo a romper o vínculo com a imobiliária, um problema que se torna ainda mais grave em tempos de escassez de imóveis para locação, justamente o principal produto de uma imobiliária.

O custo operacional invisível

Além do valor não recebido, há um custo operacional significativo envolvido na inadimplência:
  • Abertura de sinistro: Quando há garantia como seguro-fiança ou uma garantidora, o processo de acionamento exige tempo, documentação, acompanhamento e interação com a empresa garantidora. Isso consome recursos da equipe e pode levar um longo tempo para ser concluído.
  • Desgaste com garantidoras A inadimplência recorrente pode enfraquecer a relação da imobiliária com seguradoras e empresas de garantia. Isso pode dificultar futuras aprovações, encarecer os produtos ou até limitar parcerias estratégicas.
  • Cobrança ativa Garantias como fiador e caução envolvem ligações, e-mails, notificações extrajudiciais e, em alguns casos, encaminhamento para jurídico. Tudo isso demanda estrutura e gera despesas que raramente são recuperadas.

Garantias Locatícias ajudam, mas não resolvem tudo

Garantias, onerosas ou não, são mecanismos importantes para mitigar o risco financeiro da inadimplência. Elas protegem o recebimento do aluguel, mas nenhuma garantia cobre o desgaste na relação com o proprietário.

Quando o inquilino atrasa, mesmo que o aluguel seja pago por uma garantidora, o proprietário:

  • Sente insegurança quanto à continuidade do contrato, sobretudo em casos de inadimplência precoce.
  • Passa a se preocupar com o cuidado e a conservação do imóvel por parte de um inquilino inadimplente.
  • Cria a percepção de que a imobiliária não foi suficientemente prudente na gestão do risco.

O risco real: perder o proprietário

A consequência mais grave da inadimplência é o proprietário decidir retirar o imóvel da carteira da imobiliária. E isso tem efeitos profundos:
  • Perda de receita recorrente A comissão mensal desaparece.
  • Redução de portfólio: Menos imóveis disponíveis afetam a atratividade da imobiliária.
  • Custo de aquisição (CAC): Captar um novo proprietário exige tempo, investimento em marketing, dedicação da equipe comercial e estratégias de relacionamento. Trata-se de um processo oneroso, que impacta diretamente a rentabilidade e a competitividade da imobiliária.

Proprietários com múltiplos imóveis: risco multiplicado

O impacto é ainda maior quando o proprietário possui vários imóveis sob gestão. A inadimplência em um único contrato pode gerar insatisfação suficiente para que ele retire todo o portfólio da imobiliária. Ou seja, o risco não é apenas perder um imóvel, é perder cinco, dez ou mais de uma só vez. Isso representa uma perda significativa de receita e exige um esforço muito maior para reposição.

Conclusão

A inadimplência não deve ser tratada apenas como um problema financeiro. Ela é um risco estratégico de retenção. Garantias ajudam, mas não substituem uma gestão proativa, transparente e eficaz da relação com o proprietário. Imobiliárias que entendem isso protegem não apenas o aluguel, mas o cliente que sustenta o negócio.

É um grande equívoco acreditar que um índice de inadimplência baixo não seja preocupante quando se olha apenas para o não recebimento do aluguel. O verdadeiro impacto está na percepção do proprietário e na sua decisão de manter ou não o vínculo com a imobiliária. Por isso, é de extrema importância que a imobiliária tenha um processo de aprovação seguro e eficiente, capaz de resguardar sua credibilidade na escolha dos inquilinos perante os proprietários, sobretudo nas locações com garantias pagas, em que não há como assegurar se os critérios de aprovação adotados pela garantidora seguem os mesmos padrões praticados pela imobiliária.

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