O raio-X do inquilino brasileiro em 2025

O mercado de locação no Brasil já conta com índices que acompanham preços e vacância, além de estudos de associações e plataformas que analisam os impactos dos lançamentos na oferta de imóveis na locação e inadimplência. Esses dados ajudam a compreender a dinâmica da oferta e dos valores, além de fornecer indicadores sobre riscos de pagamento.

Ainda assim, persiste uma lacuna importante: faltam informações mais profundas sobre quem realmente sustenta essa cadeia. Saber apenas “quanto custa”, “quanto se busca” ou “quantos não pagam” é útil, mas ainda raso para decisões estratégicas. É preciso avançar para uma leitura mais completa e estruturada da demanda, conhecendo o perfil real dos inquilinos para transformar números em inteligência de mercado.

É nesse ponto que o Anuário da FC ANALISE se torna essencial. Baseado em propostas efetivas de locação enviadas para análise e aprovação, o estudo revela padrões socioeconômicos e comportamentais, oferecendo ao mercado uma visão clara da demanda e permitindo decisões estratégicas orientadas por dados.

Principais achados do Anuário FC ANALISE 2025

  • Escala inédita: em 2025 foram analisadas 109.562 propostas efetivas de locação, envolvendo quase 200 mil CPFs, média de 1,8 pessoa por proposta, refletindo composições familiares e garantidores.
  • Perfil etário: a Geração Y (30 a 45 anos) concentra 42% das propostas, seguida pela Geração Z (30%). Isso mostra que o mercado é puxado por adultos em fase de formação familiar e mobilidade profissional.
  • Classe social: 71% dos pretendentes pertencem às Classes A e B, com a Classe B (49%) como núcleo dominante. A Classe C aparece com 17%, enquanto D/E é residual (1%).
  • Origem de renda: empresários e autônomos representam 40% da base, superando os funcionários CLT (33%). Esse dado revela a importância de critérios técnicos para validar rendas variáveis.
  • Comprometimento de renda: na Classe C, 32% dos pretendentes já comprometem 40% da renda com aluguel de até R$ 1.500, evidenciando risco estrutural e pouca margem financeira.

O que esses dados sugerem

O anuário mostra que a demanda é majoritariamente formada por adultos em idade produtiva, o que exige processos rápidos e claros de análise, já que esse público tem pouca tolerância para burocracia.

Mas o dado que mais exige atenção é a origem de renda. Com 40% dos pretendentes sendo empresários ou autônomos, uma parcela expressiva do mercado não se encaixa no modelo tradicional de comprovação via contracheque. E há um risco concreto: extratos bancários usados como comprovação de renda podem estar inflados por movimentações da atividade profissional, e não refletir o rendimento real disponível para o pagamento do aluguel.

Esse fenômeno, que o estudo chama de ‘renda inflada’, aparece com frequência em análises de grupos de inadimplentes (conforme estudo complementar a ser divulgado em breve).

Outro ponto crítico é o comprometimento de renda. Na Classe B, o aluguel médio (R$ 1.500 a R$ 2.500) já mostra sinais de pressão financeira, com quase 30% dos pretendentes comprometendo 40% ou mais da renda. Na Classe C, o cenário é ainda mais delicado: mesmo em locações de baixo valor, grande parte já opera no limite, com comprometimento de 40% a 50%. Esses padrões revelam que o mercado precisa olhar além dos números brutos e considerar a fragilidade financeira de parte significativa da demanda.

O estudo complementar (a ser divulgado em breve) busca responder se esse grupo, mais pressionado pelo custo do aluguel, apresenta índices de inadimplência superiores em comparação àqueles com maior folga orçamentária (Classe A e parte da B).

Implicações estratégicas para 2026

Os dados do anuário indicam que cada perfil exige uma resposta específica, e que tratar todos os pretendentes com o mesmo critério é, ao mesmo tempo, um risco e uma oportunidade perdida.

  • Clientes com comprometimento abaixo de 20% e risco baixo têm margem real para locar imóveis de valor superior ao que inicialmente buscam. Além disso, podem ser atraídos por serviços e seguros complementares. Apresentar essas opções de forma proativa funciona como uma alavanca concreta para aumentar o ticket médio, sem elevar o risco da carteira.
  • Pretendentes em mismatch, aprovados para um valor menor do que o pretendido, não precisam ser descartados. Redirecioná-los para imóveis compatíveis com seu perfil financeiro reduz o risco e garante o fechamento do contrato.
  • Para empresários e autônomos, a análise de extratos deve separar movimentações da atividade profissional dos rendimentos pessoais, evitando confundir fluxo de caixa com capacidade real de pagamento do aluguel. Além dessa abordagem “manual”, a análise pode ser realizada com ferramentas que aplicam inteligência de dados, como o SCORE FC, que carrega uma ponderação específica para calcular o risco desse perfil financeiro.
  • Para a Classe C, a estratégia mais eficiente é captação direcionada de imóveis até R$ 1.500 combinada com processos enxutos e automação, para viabilizar economicamente o atendimento e ganho em volume.

Para quem administra carteiras mistas, o segredo está em segmentar políticas de acordo com o risco de cada grupo. A diversidade da base de inquilinos deixa de ser um obstáculo e passa a ser uma vantagem competitiva, desde que a operação esteja estruturada para atender cada perfil com a inteligência que ele exige.

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